De uma luta singular à uma causa exemplar

os ataques contra estátuas e referências memoriais, na esteira da morte de George Floyd

  • João Paulo Rodrigues Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT
Palavras-chave: George Floyd, Estátuas, Memória

Resumo

Uma série de atos contra monumentos e referências memoriais, em diversos países, se sucedeu às imagens agônicas da morte do cidadão negro estadunidense George Floyd, nos últimos meses. Para além do ataque a estátua do traficante de escravos inglês Edward Colston, personagens que, aparentemente, não guardavam nenhuma relação com a violência policial contra Floyd tiveram suas efígies questionadas, a exemplo de James Cook, na Austrália, e os bandeirantes, no Brasil. Tomando como fontes matérias publicadas em jornais e revistas e valendo-se, sobretudo, das reflexões teóricas de Michael Pollak e Pierre Nora, este artigo se dedica a analisar as disputas de memória que se puseram em marcha nessa onda contestatória recente, contra referências imagéticas que se espalham pelas paisagens de diversos países pelo mundo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ASSMANN, Aleida. Espaços da recordação: formas e transformações da memória cultural. Campinas: Ed. Unicamp, 2011.

BALLESTRIN, Luciana. América Latina e o giro decolonial. Revista Brasileira de Ciência Política, Brasília, n.11, p.89-117, 2013. Disponível em: http://periodicos.unb.br/index.php/rbcp/article/view/9180/6893 Acesso em 31/10/18.

CANDAU, Joël. Memória e identidade. São Paulo: Contexto, 2014.

ENDERS, Armelle. Les Lieux de Mémoire, dez anos depois. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 11, n. 6, p. 132-137, 1993.

GIDDENS, Anthony. Sociologia. 6ª ed. Porto Alegre: Penso, 2012.

HALBAWACHS, Maurice. A memória coletiva. SP: Centauro, 2003.

HOBSBAWM, Eric J. O presente como história. In:___. Sobre história. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p.315-331.

JOUTARD, Philippe. Reconciliar história e memória? Escritos. Revista da Fundação Casa de Rui Barbosa, Rio de Janeiro, ano 1, n. 1, p. 223-235, 2007.

NORA, Pierre. Entre memória e História: a problemática dos lugares. Projeto História, São Paulo, n. 10, p. 7-28, 1993.

POLLAK, Michael. Memória, esquecimento e silêncio. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol. 2, nº 3, p. 3-15, 1989.

POLLAK, Michael. Memória e Identidade Social. Estudos Históricos. Rio de Janeiro, vol 5, n. 10, p.200-212,1992.

RICOEUR, Paul. A memória, a história, o esquecimento. Campinas: Ed. Unicamp, 2007.

ROUSSO, Henri. Sobre a História do tempo presente. Revista Tempo e Argumento. Florianópolis: UESC, v. 1, n. 1, p. 201-216, 2009.

ROUSSO, Henry. Vichy, le grand fossé. Vingtième Siècle - Revue d’histoire, Paris, vol. 5, nº.1, p.55-80, 1985.

SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de Conceitos Históricos. 2ªed. São Paulo: Contexto, 2009.

Publicado
2020-12-23
Como Citar
Rodrigues, J. P. . (2020). De uma luta singular à uma causa exemplar: os ataques contra estátuas e referências memoriais, na esteira da morte de George Floyd. Fênix - Revista De História E Estudos Culturais, 17(2), 140- 160. https://doi.org/10.35355/revistafenix.v17i17.947